O representante da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia –
SBOT na câmara temática sobre “Transporte de Crianças em Motocicleta”
defendeu a proibição de carona para crianças com menos de 16 anos. A
tese, que foi vencedora na reunião promovida pela Secretaria Municipal
de Transportes de São Paulo será encaminhada ao Congresso Nacional, onde
está sendo discutido o projeto de lei 6.401/99, do ex-deputado
professor Victorio Galli.
O então parlamentar quer mudar a legislação atual, que proíbe o transporte de menores de 7 anos de idade em motocicletas, motonetas e ciclomotores, elevando a idade para 11 anos, tese que não é aceita pelos ortopedistas.
Durante a reunião da ‘Câmara Temática de Saúde e Meio Ambiente no Trânsito’ o representante da SBOT, ortopedista pediátrico Miguel Akkari, justificou que não há argumentos técnicos para defender a liberação aos 11 anos, pois do ponto de vista médico “não há diferenças anatômicas importantes entre a criança de 7 e de 11 anos, ao contrário do que ocorre quando a idade é de 16 anos, na qual a estrutura esquelética já é bem próxima daquela do adulto”.
Para Akkari, não há sentido em liberar uma criança de 11 anos para
ser carona no veículo que mais se envolve em acidentes no Brasil, no
momento em que as autoridades de trânsito procuram, em trabalho conjunto
com as sociedades médicas, encontrar formas de minorar o número de
mortes em acidentes com motocicletas, aumentando o nível de segurança de
veículos em duas rodas.
O aumento do número de acidentes envolvendo motocicletas é tão
grande, no Brasil, que preocupa a Organização Mundial da Saúde, cuja
representante, Mercedes Maldonado, recentemente lembrou que com uma
frota mais reduzida que a de automóveis, as motos já representam 16% dos
acidentes no País. Outro problema é a gravidade desses acidentes que,
segundo depoimento de Mauro Ribeiro, da Associação Brasileira de
Medicina de Tráfego, fez com que em algumas localidades o índice de
mortes em acidentes com motos passe a representar mais de 50% dos
óbitos.
Outro levantamento, feito entre 2004 e 2008, justamente quando a
frota de motos passou a crescer em maior velocidade, indica 6.700 mortes
anuais de motociclistas, ao passo que outra estatística mostra que o
total de mortes de motoristas de motos cresceu 2.000% em 16 anos.

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